É nesse momento. Depois que ele estendeu a mão e quis destruir. E fez. Ele que eu nem sabia mais quem era, ele que eu não reconhecia, ele que não me existia. E caíram meus olhos postiços quebrados no chão; caiu minha raiva e caiu meu perdão.
Porque é nesse momento que caem as coisas. Minhas mãos inertes não seguraram olhos, não buscaram perdão, não guardaram raiva. Minhas mãos tão míopes quanto meus olhos. Ficou ali, no chão, na distância entre eu e o nada, o que eu não reconheço mais. Mas a distância entre o nada é infinita, é nula.
Os meus amigos juntaram a armação, mas esqueceram da raiva e do perdão. Assim como o pintor esqueceu de pintá-lo. Ele que eu nem sei mais quem, cuja raiva e perdão estão ali, no chão, para serem entregues.
E é nesse momento. É quando a vida dá uma volta e vira, para testar se você ainda sabe andar. Eu não sei andar. Não esse caminho. Uma brisa vai correndo o chão e levando embora a raiva e o perdão. Espera! Não é certo.
A desculpa existe para ser dada. Mas, diante da brisa correndo, meus pés estáticos e minhas mãos míopes. Parece que o tempo corre e leva tudo embora. Visão, raiva e perdão. Eu ponho a culpa no pintor, então. Porque o perdão não é do desaforo, mas da raiva. E a minha raiva, assim como a cor do outro, a tinta deixou na palheta essa noite. Meu perdão, no chão, míope e perdido, sem propósito algum. Fim.
Prometido e não cumprido. Meu passado e meu futuro. Tudo vira bosta. Um dia depois, não me vire as costas. Salvemos nós dois: tudo vira bosta. (Rita Lee)
domingo, 26 de abril de 2009
domingo, 22 de março de 2009
No ´s
Quando um ser humano olha para outro, pode ver o que quiser. Isso porque as pessoas são como pinturas realistas, cheias de detalhes, tons, coadjuvantes e mais coisas por trás das quais se escondem as pinceladas. Casas, amigos, roupas, sotaques, sujeira, idéias e preconceitos. Não adianta passar um creme esfoliante, nem mesmo ir pelado conversar com alguém, nem mesmo ficar em silêncio.
Eu queria um jeito de simplificar as coisas. Um jeito de expôr o ser, e sumir com o coadjuvante; uma forma de destilar as pessoas. Se eu tivesse chegado na sua casa com a boca branca, tirado as nossas roupas e sentássemos em silêncio um de frente pro outro... Em meio a pensamentos, macacos comendo bananas na nossa mente, será que a minha essência ia encontrar a sua?
E se eu colocasse as mãos no rosto e alguém dissolvesse o cenário em meio a um grito? Se você tremesse ansioso em pinceladas de Van Gogh? Será que eu ia enxergar você? Será que dentro dos seus olhos, um espaço entre as marcas de tinta, ia existir alguém? Será?
Eu queria um jeito de ser fiel à verdade. A verdade faz desenhos que não são expressos em palavras, são idéias acrobáticas, movimentos que os dendritos e axônios não conseguem fazer. A minha verdade e a sua verdade não estão no desenho da pincelada, não estão entre cor e outra, mas dentro da cor. No espaço pequeno e infinito entre dois átomos. Na distância do trajeto dos fótons, da onda-matéria. É gravidade. É grave, tão grave que nós não vemos.
Pode ser que a minha verdade nunca encontre a outra, num quarto fechado, escuro e silêncio. Pode ser que entre o espaço da minha cor e o espaço dentro da outra cor sempre haja um contraste, ainda que tênue. Mas a minha cor vai continuar procurando a outra, caindo em gravidades infinitas e caminhos impossíveis, até que um dia a luz se apague e tudo vire o silêncio mútuo do nosso mesmo tom.
Eu queria um jeito de simplificar as coisas. Um jeito de expôr o ser, e sumir com o coadjuvante; uma forma de destilar as pessoas. Se eu tivesse chegado na sua casa com a boca branca, tirado as nossas roupas e sentássemos em silêncio um de frente pro outro... Em meio a pensamentos, macacos comendo bananas na nossa mente, será que a minha essência ia encontrar a sua?
E se eu colocasse as mãos no rosto e alguém dissolvesse o cenário em meio a um grito? Se você tremesse ansioso em pinceladas de Van Gogh? Será que eu ia enxergar você? Será que dentro dos seus olhos, um espaço entre as marcas de tinta, ia existir alguém? Será?
Eu queria um jeito de ser fiel à verdade. A verdade faz desenhos que não são expressos em palavras, são idéias acrobáticas, movimentos que os dendritos e axônios não conseguem fazer. A minha verdade e a sua verdade não estão no desenho da pincelada, não estão entre cor e outra, mas dentro da cor. No espaço pequeno e infinito entre dois átomos. Na distância do trajeto dos fótons, da onda-matéria. É gravidade. É grave, tão grave que nós não vemos.
Pode ser que a minha verdade nunca encontre a outra, num quarto fechado, escuro e silêncio. Pode ser que entre o espaço da minha cor e o espaço dentro da outra cor sempre haja um contraste, ainda que tênue. Mas a minha cor vai continuar procurando a outra, caindo em gravidades infinitas e caminhos impossíveis, até que um dia a luz se apague e tudo vire o silêncio mútuo do nosso mesmo tom.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Sobre o outro
Quem é que habita o outro,
No mármore do corpo?
Esse meu desejo louco
No outro, eu, absorto.
É estranho ter assim:
Sendo menos; querendo
mais sabor e, sim,
de mais sabor se enchendo.
É prazer fugaz
É obra do destino?
O que é que jaz
Ao fim desse caminho?
Será que é tesão
Será que é desatino
Ou essa atenção
É obra do destino?
No mármore do corpo?
Esse meu desejo louco
No outro, eu, absorto.
É estranho ter assim:
Sendo menos; querendo
mais sabor e, sim,
de mais sabor se enchendo.
É prazer fugaz
É obra do destino?
O que é que jaz
Ao fim desse caminho?
Será que é tesão
Será que é desatino
Ou essa atenção
É obra do destino?
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
E a morte vem
Ontem
uma paciente me
contou que tinha medo
de morrer, e eu
só pude dar um
consolo vazio.
No fundo, eu
acho que eu
também
tinha medo que ela morresse.
uma paciente me
contou que tinha medo
de morrer, e eu
só pude dar um
consolo vazio.
No fundo, eu
acho que eu
também
tinha medo que ela morresse.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Do dia-a-dia
The Flowers - Regina Spektor
The flowers you gave me are rotting and still I refuse to throw them away.
Some of the bulbs never opened quite fully
They might so i'm waiting and staying awake.
Things I have loved i'm allowed to keep
I'll never know if I go to sleep.
The papers around me are piling and twisting regina the paper back mummy
what then.
I'm taking the knife to the books that I own and chopping and chopping and boiling soup from stone.
Things I have loved i'm allowed to keep.
I'll never know if I go to sleep.
Things I have loved i'm allowed to keep.
I'll never know if I go to sleep.
Simplesmente, a idéia de mofar, assim, por dentro não me repulsa.
Mas não há tempo.
The flowers you gave me are rotting and still I refuse to throw them away.
Some of the bulbs never opened quite fully
They might so i'm waiting and staying awake.
Things I have loved i'm allowed to keep
I'll never know if I go to sleep.
The papers around me are piling and twisting regina the paper back mummy
what then.
I'm taking the knife to the books that I own and chopping and chopping and boiling soup from stone.
Things I have loved i'm allowed to keep.
I'll never know if I go to sleep.
Things I have loved i'm allowed to keep.
I'll never know if I go to sleep.
Simplesmente, a idéia de mofar, assim, por dentro não me repulsa.
Mas não há tempo.
Ode to Divorce - Regina Spektor
The food that I'm eating
Is suddenly tasteless
I know I'm alone now
I know what it tastes like
So break me to small parts
Let go in small doses
But spare some for spare parts
There might be some good ones
Like you might make a dollar
I'm inside your mouth now
Behind your tonsils
Peeking over your molars
You're talking to her now
And you've eaten something minty
And you're making that face that I like
And you're going in, in for the kill, kill
For the killer kiss, kiss for the kiss, kiss
I need your money, it'll help me
I need your car and I need your love [x2]
So won't you help a brother out?
Won't you help a brother out?
Won't you help a brother out, out, out, out, out?
So break me to small parts
Let go in small doses
But spare some for spare parts
You might make a dollar
Dollar, might make a dollar
So won't you help a brother out?
Won't you help a brother out?
Won't you help a brother out, out, out, out, out?
So break me to small parts
Let go in small doses
But spare some for spare parts
There might be some good ones
You might make a dollar
(There might be some good ones)
There might be some good ones
(You might make a dollar)
You might make a dollar
(There might be some good ones)
There might be some good ones
Is suddenly tasteless
I know I'm alone now
I know what it tastes like
So break me to small parts
Let go in small doses
But spare some for spare parts
There might be some good ones
Like you might make a dollar
I'm inside your mouth now
Behind your tonsils
Peeking over your molars
You're talking to her now
And you've eaten something minty
And you're making that face that I like
And you're going in, in for the kill, kill
For the killer kiss, kiss for the kiss, kiss
I need your money, it'll help me
I need your car and I need your love [x2]
So won't you help a brother out?
Won't you help a brother out?
Won't you help a brother out, out, out, out, out?
So break me to small parts
Let go in small doses
But spare some for spare parts
You might make a dollar
Dollar, might make a dollar
So won't you help a brother out?
Won't you help a brother out?
Won't you help a brother out, out, out, out, out?
So break me to small parts
Let go in small doses
But spare some for spare parts
There might be some good ones
You might make a dollar
(There might be some good ones)
There might be some good ones
(You might make a dollar)
You might make a dollar
(There might be some good ones)
There might be some good ones
domingo, 27 de julho de 2008
Da ressaca
A solidão tardia não é uma música, que estupra o espaço de supetão. Essa ausência é uma morte, que agoniza, antes mesmo, por seu risco potencial. E que mata, na hora certa, aos poucos. É um silêncio que se faz presente devagar, instante a instante, na ausência de vida... Mais abissal.
É um silêncio que ensurdece só quem já teve ouvidos. É mais profundo pelo eco. E vai deixando letargia passo a passo, como apaga uma vela... Aos poucos, em etapas e brasas profundas, em fumaças tênues, mudas, sorrateiras, infiéis.
Quando foi que essa calma chegou? Quando foi que o mar parou, na derradeira ressaca? Por que, com os olhos ofuscados, a noite chegou, assim, tão de repente? Sem noção, sem discernimento... E os pássaros todos dormiram?
O escuro é pior que a visão do estranho. É pior quando o tremor vem sem estímulo, por dentro. Ansiedade muda. E brota, na noite, no silêncio, imenso, surdo e ensurdecedor.
É um silêncio que ensurdece só quem já teve ouvidos. É mais profundo pelo eco. E vai deixando letargia passo a passo, como apaga uma vela... Aos poucos, em etapas e brasas profundas, em fumaças tênues, mudas, sorrateiras, infiéis.
Quando foi que essa calma chegou? Quando foi que o mar parou, na derradeira ressaca? Por que, com os olhos ofuscados, a noite chegou, assim, tão de repente? Sem noção, sem discernimento... E os pássaros todos dormiram?
O escuro é pior que a visão do estranho. É pior quando o tremor vem sem estímulo, por dentro. Ansiedade muda. E brota, na noite, no silêncio, imenso, surdo e ensurdecedor.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Método: ELISA
não reagente.
(e um silêncio maior que o mundo)
(Mas o luto não acabou.)
(Mas a luta não acabou.)
(e um silêncio maior que o mundo)
(Mas o luto não acabou.)
(Mas a luta não acabou.)
terça-feira, 1 de julho de 2008
De um amor maior
E se o amor, um dia, implicasse em se desproteger?
Em assumir riscos terríveis?
E se um amor, um dia, exigisse a extinção do medo,
e da proteção?
E se um amor, que não pedisse nem amor...
Precisasse, para ser, que o ser que ama, não fosse o ser que é?
O que seria desse amor?
Quem haveria de amá-lo tanto,
já que não o pede,
para sê-lo?
Quem haveria de amá-lo,
já que não o pede para sê-lo?
Em assumir riscos terríveis?
E se um amor, um dia, exigisse a extinção do medo,
e da proteção?
E se um amor, que não pedisse nem amor...
Precisasse, para ser, que o ser que ama, não fosse o ser que é?
O que seria desse amor?
Quem haveria de amá-lo tanto,
já que não o pede,
para sê-lo?
Quem haveria de amá-lo,
já que não o pede para sê-lo?
domingo, 22 de junho de 2008
Reflexos
Hoje é um daqueles dias bonitos. Tem os dias de vento norte, dizendo "saiam de casa, antes que chova: aproveitem esse sopro quente que eu posso dar"; tem os dias frios e ensolarados, para passeios no sol; tem os dias de verão, para tomar sorvete; os de primavera, para fazer pique-nique; os de outono, para passear pisando nas folhas laranjas, e olhos últimos acenos das árvores, amarelos, contrastando no sol.
Hoje é um outro dia, hoje o céu resolveu brincar de molhar e esperar secar. E o dia amanheceu em todos os lados, por todos os pontos cardeais, de cima pra baixo, de baixo pra cima - refletido na água que a noite deixou, por acaso. Manhã cristalina. Manhã ofuscada. O céu é todo uma mancha, são manchas. O céu é uma poça clara e escura, como se a luz se tivesse derramado em meio à noite. E ninguém sabe onde o sol está, na imensidão clara. Como ninguém sabe onde as estrelas ficam, quando o dia amanhece.
Hoje é o dia mais frio do ano. Não porque não haja sol, para queimar nada e aquecer as horas; não porque a noite fria se fizesse presente, encharcando horizontais; é porque hoje a luz não pára em coisa nenhuma. Nem na nuvem escura o sol parasse: queimou o céu livre inteiro para se derramar; se o ar não é azul: é límpido - e a água não deixa o sol ficar.
Hoje é um outro dia, hoje o céu resolveu brincar de molhar e esperar secar. E o dia amanheceu em todos os lados, por todos os pontos cardeais, de cima pra baixo, de baixo pra cima - refletido na água que a noite deixou, por acaso. Manhã cristalina. Manhã ofuscada. O céu é todo uma mancha, são manchas. O céu é uma poça clara e escura, como se a luz se tivesse derramado em meio à noite. E ninguém sabe onde o sol está, na imensidão clara. Como ninguém sabe onde as estrelas ficam, quando o dia amanhece.
Hoje é o dia mais frio do ano. Não porque não haja sol, para queimar nada e aquecer as horas; não porque a noite fria se fizesse presente, encharcando horizontais; é porque hoje a luz não pára em coisa nenhuma. Nem na nuvem escura o sol parasse: queimou o céu livre inteiro para se derramar; se o ar não é azul: é límpido - e a água não deixa o sol ficar.
sábado, 21 de junho de 2008
Eperdu
Above day holding nest
Both that sheltering and taking posession
One hand outstretched
Trembles its echo
(Cocteau Twins)
Both that sheltering and taking posession
One hand outstretched
Trembles its echo
(Cocteau Twins)
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Inverno
Faço longas cartas pra ninguém
e o inverno (no Leblon) é quase glacial.
Algo que jamais se esclareceu:
onde foi, exatamente,
que larguei naquele dia, mesmo,
o leão que sempre cavalguei.
Lá mesmo esqueci que o destino
sempre me quis só
no deserto, sem saudades, sem remorços
só, sem amarras, barco embriagado ao mar.
(Adriana Calcanhoto - Inverno)
Pronto, chorei minhas lágrimas de Staphylococcus multirresistente.
e o inverno (no Leblon) é quase glacial.
Algo que jamais se esclareceu:
onde foi, exatamente,
que larguei naquele dia, mesmo,
o leão que sempre cavalguei.
Lá mesmo esqueci que o destino
sempre me quis só
no deserto, sem saudades, sem remorços
só, sem amarras, barco embriagado ao mar.
(Adriana Calcanhoto - Inverno)
Pronto, chorei minhas lágrimas de Staphylococcus multirresistente.
sábado, 26 de abril de 2008
Sobre as dores do mundo
Dói. Dói, ué, dói por todos os lados. Em todos os sentidos. De segunda à segunda. De crepúsculo a crepúsculo. Expirando e inspirando. Deve ser uma dor terrível, né. É, excruciante, mas tão presente que às vezes me esqueço dela.
Existe um circuito medular de inibição da neurotransmissão nociceptiva. Funciona pela ativação de sensores de tato e outras sensações, e esses impulsos sobressaem na rota medular, inibindo a sensação de dor (embora o estímulo exista). Existe um circuito análogo no encéfalo.
Deve ser por causa desse circuito que as cócegas são tão divertidas. Deve ser por causa deste circuito que as ilusões são tão tentadoras. Há que se livrar da dor. Eu quero que essa dor suma. Essa dor de amar e não receber amor, essa dor de ser o único a fazer certo, de criar beleza num mundo feio. E daí? E daí? E daí? Vale essa dor?
O que tem de valer a minha dor é a crítica que eu faço. É o meu próprio eu-de-doer, a minha ferida: o meu prendimento. São os meus valores, é a minha estética, a saúde e o meu querer-que-todos-amem. Será que isso vale essa dor? Será que isso vale dor alguma? Será que isso vale pro mundo, ou só pra mim?
Existe um circuito medular de inibição da neurotransmissão nociceptiva. Funciona pela ativação de sensores de tato e outras sensações, e esses impulsos sobressaem na rota medular, inibindo a sensação de dor (embora o estímulo exista). Existe um circuito análogo no encéfalo.
Deve ser por causa desse circuito que as cócegas são tão divertidas. Deve ser por causa deste circuito que as ilusões são tão tentadoras. Há que se livrar da dor. Eu quero que essa dor suma. Essa dor de amar e não receber amor, essa dor de ser o único a fazer certo, de criar beleza num mundo feio. E daí? E daí? E daí? Vale essa dor?
O que tem de valer a minha dor é a crítica que eu faço. É o meu próprio eu-de-doer, a minha ferida: o meu prendimento. São os meus valores, é a minha estética, a saúde e o meu querer-que-todos-amem. Será que isso vale essa dor? Será que isso vale dor alguma? Será que isso vale pro mundo, ou só pra mim?
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Patinetes
Patinetes
Uma vez, eu lembro, voltaram à moda. Eu estava numa daquelas fases pós-consumismo, em que você encara cada objeto como um aglomerado de moléculas moldado por mãos inescrupulosas. Um monte de átomos que não é diferente de qualquer outro monte de átomos, mas que está ali: especialmente moldado para você, e para lhe custar o dinheiro do mês.
Assim foi com os chocolates. Passaram de vício irracional a lixo racional em um piscar de olhos. Na verdade, acho que não tem jeito melhor de transformar algo em lixo e justificar aversão do que racionalizando. De fato, aqueles brinquedos nem eram ruins. Eu podia ter me divertido com eles.
Dói um pouco pensar que eu achava que eles eram ruins só porque não podia comprá-los. Não porque de fato não pudesse, nem, mais logicamente, porque fossem supérfluos (i.e. pertencentes a um conjunto de coisas que não está no seu padrão). É, padrão, sim. Seria como ter 20 reais. Você pode comprar um shampoo sem sal e desfrizzante... Mas, e o condicionador? Faz sentido ter um só? Mas, repito, dói não porque não era parte do meu padrão da época, ou por qualquer outra razão materialista. Machuca-me porque a razão é assim tão podre, tão parcial e ligada às emoções mais mesquinhas. É triste saber pensar e descobrir que não serve para nada.
Uma vez, eu lembro, voltaram à moda. Eu estava numa daquelas fases pós-consumismo, em que você encara cada objeto como um aglomerado de moléculas moldado por mãos inescrupulosas. Um monte de átomos que não é diferente de qualquer outro monte de átomos, mas que está ali: especialmente moldado para você, e para lhe custar o dinheiro do mês.
Assim foi com os chocolates. Passaram de vício irracional a lixo racional em um piscar de olhos. Na verdade, acho que não tem jeito melhor de transformar algo em lixo e justificar aversão do que racionalizando. De fato, aqueles brinquedos nem eram ruins. Eu podia ter me divertido com eles.
Dói um pouco pensar que eu achava que eles eram ruins só porque não podia comprá-los. Não porque de fato não pudesse, nem, mais logicamente, porque fossem supérfluos (i.e. pertencentes a um conjunto de coisas que não está no seu padrão). É, padrão, sim. Seria como ter 20 reais. Você pode comprar um shampoo sem sal e desfrizzante... Mas, e o condicionador? Faz sentido ter um só? Mas, repito, dói não porque não era parte do meu padrão da época, ou por qualquer outra razão materialista. Machuca-me porque a razão é assim tão podre, tão parcial e ligada às emoções mais mesquinhas. É triste saber pensar e descobrir que não serve para nada.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
sábado, 10 de novembro de 2007
E as decisões do mundo
Início > Comunidades > Estudantes de Medicina > Enquetes > Você é a favor da quebra de patentes de medicamentos?
Criado por: Beatriz
112 votos (43%)
Sim.
107 votos (41%)
Somente para alguns remédios.
36 votos (14%)
Não.
255 votos
Criado por: Beatriz
112 votos (43%)
Sim.
107 votos (41%)
Somente para alguns remédios.
36 votos (14%)
Não.
255 votos
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
O essencial e o importante.
Sabem, eu acho que eu vou perder o medo dos pacientes. E, com sorte, ainda aprender a como ajudar eles.
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Medicina
[e]dy diz:
Aff!!
E se for fazer vestibular vai fazer pra que?
Thiago diz:
Pois é, por isso que não desisti ainda.
Thiago diz:
hahahahaha
Aff!!
E se for fazer vestibular vai fazer pra que?
Thiago diz:
Pois é, por isso que não desisti ainda.
Thiago diz:
hahahahaha
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Sobre a frustração
Que merda, eu devia ter vendido a minha vaga.
Vou olhar o currículo dos outros cursos na federal, carinhosamente.
eu não gosto de gente
eu não gosto de gente
eu não gosto de gente
Vou olhar o currículo dos outros cursos na federal, carinhosamente.
eu não gosto de gente
eu não gosto de gente
eu não gosto de gente
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