Prometido e não cumprido. Meu passado e meu futuro. Tudo vira bosta. Um dia depois, não me vire as costas. Salvemos nós dois: tudo vira bosta. (Rita Lee)
Mostrando postagens com marcador idílico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador idílico. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Sobre a comunicação
É claro, meu bem, que o que é dito não importa... Mas, sim, as pausas, gestos e suspiros entre as palavras. Só que, insisto, as entrelinhas precisam dos trilhos íntegros para percorrer a distância entre as pessoas.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Sobre a seleção natural
Quando a única coisa sincera que alguém pode dizer para você é "não sou teu amigo", o melhor que se pode querer é que seja dito logo.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Sobre o não
É tão estranha a perda: não entendendo a posse, como partimos a ela? O homem não sabe o ter ou perder, só sente a falta.
sábado, 9 de julho de 2011
Uma porta aberta
Então fico aqui, me sentindo talvez um pouco idiota. Deixei a gaiola aberta e o passarinho saiu, mesmo com a asa quebrada. De quem é a culpa? De quem é a falta? É tolice deliberar sobre a porta, agora.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
ANATOMIA
É triste ver-se o homem por dentro:
tudo arrumado, cerrado, dobrado
como objetos num armário.
A alma, não.
É triste ver-se o mapa das veias,
e esse pequeno mar que faz trabalhar seus rios
como por obscuras aldeias
indo e vindo, a carregar a vida, estranhos escravos.
Mas e a alma?
É triste ve-se a elétrica floresta
dos nervos: para estrelas de olhos e lágrimas,
para a inquieta brisa de voz,
para esses ninhos contorcidos do pensamento.
E a alma?
É triste ver-se que de repente se imobiliza
esse sistema de enigmas,
de inexplicado exercício,
antes de termos encontrado a alma.
Pela alma choramos.
Procuramos a alma.
Queríamos a alma.
tudo arrumado, cerrado, dobrado
como objetos num armário.
A alma, não.
É triste ver-se o mapa das veias,
e esse pequeno mar que faz trabalhar seus rios
como por obscuras aldeias
indo e vindo, a carregar a vida, estranhos escravos.
Mas e a alma?
É triste ve-se a elétrica floresta
dos nervos: para estrelas de olhos e lágrimas,
para a inquieta brisa de voz,
para esses ninhos contorcidos do pensamento.
E a alma?
É triste ver-se que de repente se imobiliza
esse sistema de enigmas,
de inexplicado exercício,
antes de termos encontrado a alma.
Pela alma choramos.
Procuramos a alma.
Queríamos a alma.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Sobre as estrelas
Ah, se eu só quisesse as estrelas, era muito mais fácil. As estrelas existem e, por queimar, se fazem em luz. E, sendo luz, se dão. Se entregam pelo próprio brilho. Estão longe, mas os raios de luz, um atrás do outro, em fila, entregam os sóis aos meus olhos. As estrelas são só um e-mail cintilante que demora para transferir pelo céu. Não que o céu seja lento, claro - elas é que são grandes demais.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Sobre as relações
Estou cansado de tangenciar as pessoas, não importa quanta fricção se faça: pode aquecer o corpo, mas não se chega no ponto.
Quero criar vínculos. Não, não como correntes que atam os braços; mas largando âncoras profundas.
domingo, 22 de novembro de 2009
Pontuação
Bom, preciso confessar que eu nunca consegui acabar nada com ninguém. Sinto que nada nunca ficou pronto.
sábado, 21 de novembro de 2009
Mal entendido
Você não ouviu o que eu queria dizer. Não, não, aquilo era apenas palavras. As palavras são só a roupa da idéia, e a minha idéia era que... Bom. Deixa pra lá. Os pensamentos bem são como estrelas cadentes e, nesse instante, aquele já se foi pelo horizonte, como um dia que se perde no oeste. O crítico é que, ao ouvir as minhas palavras e assentir, o presente continuou embrulhado pelas palavras intactas. Você não ouviu o que eu queria dizer; e a nossa sorte mofou dentro das sílabas que você não soube despir.
sábado, 14 de novembro de 2009
Explicação sobre o espaço entre um segundo e outro:
O que não foi, simplesmente não foi.
E ninguém ficou sabendo.
Lindo:
carta nº 9: dos primeiros dias
Ontem os seus olhos doeram em mim. E como pode um olhar doer em alguém uma dor tão limpa, rabiscar de azul o silêncio que estendi pelos cantos no chão? Tive tanto medo de encontrá-los, tive medo de levantar os cílios e eles se deitarem feito um pássaro em tuas mãos tão claras, e descobrires o que eu já não posso evitar. Tive medo de notares o quanto eram indefesos diante dos teus... Por isso, tratei de escondê-los por trás do quadro, dos ferros na janela, da cortina, do tapete, das pétalas, colocando-se diante de minhas pálpebras, enquanto eu falava qualquer coisa para me esconder por trás das palavras.
Mas foi quando eu ainda nem havia dito nada, foi quando eu ainda nem te conhecia, foi na fresta que, por descuido, esqueci aberta... que teus olhos doeram em mim, caíram em mim e me mancharam de tinta. Não sei o que era ali dentro deles, se a minha tristeza ou a tua, mas nunca vi olhos tão claros, nem outros que ofuscassem tanto a minha vida.
Agora eu viro para o lado e não quero mais que o outro me siga, não quero mais que o outro me toque porque tocar as minhas costas é empurrar a manhã para o meio das nuvens, entende? Uma manhã que era toda feita para colher as maçãs, as maçãs que eu enrolaria doces numa forma para te dar. Por isso, quando ele me tocou, duas lágrimas eu aninhei no travesseiro, e escorri com elas, e dentro delas esperei que ele tocasse o meu corpo. Só voltei quando ele acabou.
Mas foi quando eu ainda nem havia dito nada, foi quando eu ainda nem te conhecia, foi na fresta que, por descuido, esqueci aberta... que teus olhos doeram em mim, caíram em mim e me mancharam de tinta. Não sei o que era ali dentro deles, se a minha tristeza ou a tua, mas nunca vi olhos tão claros, nem outros que ofuscassem tanto a minha vida.
Agora eu viro para o lado e não quero mais que o outro me siga, não quero mais que o outro me toque porque tocar as minhas costas é empurrar a manhã para o meio das nuvens, entende? Uma manhã que era toda feita para colher as maçãs, as maçãs que eu enrolaria doces numa forma para te dar. Por isso, quando ele me tocou, duas lágrimas eu aninhei no travesseiro, e escorri com elas, e dentro delas esperei que ele tocasse o meu corpo. Só voltei quando ele acabou.
(por Rita Apoena)
domingo, 5 de julho de 2009
A verdade por trás das aparências
Não se brinca com as emoções
Elas é que brincam com a gente
(julho/06)
Elas é que brincam com a gente
(julho/06)
Do sussurro
Assim, no meu silêncio
Tantas palavras amordaçadas
Quanto as presas num sorriso
De um rosto calado
Não as retenho para que não sejam ditas
(pois sei que as escutas bem)
Mas para que não sejam lembradas
Tantas palavras amordaçadas
Quanto as presas num sorriso
De um rosto calado
Não as retenho para que não sejam ditas
(pois sei que as escutas bem)
Mas para que não sejam lembradas
sábado, 4 de julho de 2009
Por um outro dia
Abre o mesmo tabuleiro:
Com instinto rústico
ou com sábio guerreiro
Não - o jogo é único
Sobre a lembrança
O tempo empoeira
Morre a criança
Acende-se a fogueira
Todos os segundos
São guerra ritmada
Em orgasmos agudos
Se dança - mais nada
São olhares mudos
Entre versos anormais
Meus braços quebrados
De silêncios abissais
Poemas minados
No fundo não importa
Os sorrisos queimados
Eram de natureza morta
Com instinto rústico
ou com sábio guerreiro
Não - o jogo é único
Sobre a lembrança
O tempo empoeira
Morre a criança
Acende-se a fogueira
Todos os segundos
São guerra ritmada
Em orgasmos agudos
Se dança - mais nada
São olhares mudos
Entre versos anormais
Meus braços quebrados
De silêncios abissais
Poemas minados
No fundo não importa
Os sorrisos queimados
Eram de natureza morta
sábado, 13 de junho de 2009
Do amor fugaz
Então foi ali: no meu sonho. Foi no meu sonho que rapidamente entendi a minha dúvida. Quando a senhora me disse que tinha medo de morrer, tão francamente; e eu, tão fracamente, me senti ligado à ela. É isso, é o amor. É saber o outro. Ela me falou sua fraqueza e isso me tocou, porque eu também sou fraco (ainda que não o lembrasse). Eu sabia o que ela sentia, eu sabia quem era ela: era a mim. E a única coisa que eu queria fazer naquele momento era segurar a porta e lhe dar um abraço que só ela, em mim, poderia dar a si mesma.
Dos meus segredos
São coisas, meu amigo, que eu nunca poderia dizer. Quando eu te olhasse: elas estariam ali, nos meus olhos. Estampadas como o brilho da luz na pupila: indescritível. Você apenas saberia que estavam ali. Mas o que eu posso fazer? Se te escondo é porque tenho motivo, é porque preciso. É porque, de certa forma, a vida também é inefável e eu, como péssimo contador de histórias, só poderia dizer metade das coisas: a metade que é mentira. Não briga comigo, não por isso. Se não contei, foi porque não soube como fazê-lo. É uma gema que eu, por não saber lapidar, tive medo de quebrar, e mantive em meio a pedra bruta.
domingo, 26 de abril de 2009
O que não tem remédio remediado está
É nesse momento. Depois que ele estendeu a mão e quis destruir. E fez. Ele que eu nem sabia mais quem era, ele que eu não reconhecia, ele que não me existia. E caíram meus olhos postiços quebrados no chão; caiu minha raiva e caiu meu perdão.
Porque é nesse momento que caem as coisas. Minhas mãos inertes não seguraram olhos, não buscaram perdão, não guardaram raiva. Minhas mãos tão míopes quanto meus olhos. Ficou ali, no chão, na distância entre eu e o nada, o que eu não reconheço mais. Mas a distância entre o nada é infinita, é nula.
Os meus amigos juntaram a armação, mas esqueceram da raiva e do perdão. Assim como o pintor esqueceu de pintá-lo. Ele que eu nem sei mais quem, cuja raiva e perdão estão ali, no chão, para serem entregues.
E é nesse momento. É quando a vida dá uma volta e vira, para testar se você ainda sabe andar. Eu não sei andar. Não esse caminho. Uma brisa vai correndo o chão e levando embora a raiva e o perdão. Espera! Não é certo.
A desculpa existe para ser dada. Mas, diante da brisa correndo, meus pés estáticos e minhas mãos míopes. Parece que o tempo corre e leva tudo embora. Visão, raiva e perdão. Eu ponho a culpa no pintor, então. Porque o perdão não é do desaforo, mas da raiva. E a minha raiva, assim como a cor do outro, a tinta deixou na palheta essa noite. Meu perdão, no chão, míope e perdido, sem propósito algum. Fim.
Porque é nesse momento que caem as coisas. Minhas mãos inertes não seguraram olhos, não buscaram perdão, não guardaram raiva. Minhas mãos tão míopes quanto meus olhos. Ficou ali, no chão, na distância entre eu e o nada, o que eu não reconheço mais. Mas a distância entre o nada é infinita, é nula.
Os meus amigos juntaram a armação, mas esqueceram da raiva e do perdão. Assim como o pintor esqueceu de pintá-lo. Ele que eu nem sei mais quem, cuja raiva e perdão estão ali, no chão, para serem entregues.
E é nesse momento. É quando a vida dá uma volta e vira, para testar se você ainda sabe andar. Eu não sei andar. Não esse caminho. Uma brisa vai correndo o chão e levando embora a raiva e o perdão. Espera! Não é certo.
A desculpa existe para ser dada. Mas, diante da brisa correndo, meus pés estáticos e minhas mãos míopes. Parece que o tempo corre e leva tudo embora. Visão, raiva e perdão. Eu ponho a culpa no pintor, então. Porque o perdão não é do desaforo, mas da raiva. E a minha raiva, assim como a cor do outro, a tinta deixou na palheta essa noite. Meu perdão, no chão, míope e perdido, sem propósito algum. Fim.
domingo, 22 de março de 2009
No ´s
Quando um ser humano olha para outro, pode ver o que quiser. Isso porque as pessoas são como pinturas realistas, cheias de detalhes, tons, coadjuvantes e mais coisas por trás das quais se escondem as pinceladas. Casas, amigos, roupas, sotaques, sujeira, idéias e preconceitos. Não adianta passar um creme esfoliante, nem mesmo ir pelado conversar com alguém, nem mesmo ficar em silêncio.
Eu queria um jeito de simplificar as coisas. Um jeito de expôr o ser, e sumir com o coadjuvante; uma forma de destilar as pessoas. Se eu tivesse chegado na sua casa com a boca branca, tirado as nossas roupas e sentássemos em silêncio um de frente pro outro... Em meio a pensamentos, macacos comendo bananas na nossa mente, será que a minha essência ia encontrar a sua?
E se eu colocasse as mãos no rosto e alguém dissolvesse o cenário em meio a um grito? Se você tremesse ansioso em pinceladas de Van Gogh? Será que eu ia enxergar você? Será que dentro dos seus olhos, um espaço entre as marcas de tinta, ia existir alguém? Será?
Eu queria um jeito de ser fiel à verdade. A verdade faz desenhos que não são expressos em palavras, são idéias acrobáticas, movimentos que os dendritos e axônios não conseguem fazer. A minha verdade e a sua verdade não estão no desenho da pincelada, não estão entre cor e outra, mas dentro da cor. No espaço pequeno e infinito entre dois átomos. Na distância do trajeto dos fótons, da onda-matéria. É gravidade. É grave, tão grave que nós não vemos.
Pode ser que a minha verdade nunca encontre a outra, num quarto fechado, escuro e silêncio. Pode ser que entre o espaço da minha cor e o espaço dentro da outra cor sempre haja um contraste, ainda que tênue. Mas a minha cor vai continuar procurando a outra, caindo em gravidades infinitas e caminhos impossíveis, até que um dia a luz se apague e tudo vire o silêncio mútuo do nosso mesmo tom.
Eu queria um jeito de simplificar as coisas. Um jeito de expôr o ser, e sumir com o coadjuvante; uma forma de destilar as pessoas. Se eu tivesse chegado na sua casa com a boca branca, tirado as nossas roupas e sentássemos em silêncio um de frente pro outro... Em meio a pensamentos, macacos comendo bananas na nossa mente, será que a minha essência ia encontrar a sua?
E se eu colocasse as mãos no rosto e alguém dissolvesse o cenário em meio a um grito? Se você tremesse ansioso em pinceladas de Van Gogh? Será que eu ia enxergar você? Será que dentro dos seus olhos, um espaço entre as marcas de tinta, ia existir alguém? Será?
Eu queria um jeito de ser fiel à verdade. A verdade faz desenhos que não são expressos em palavras, são idéias acrobáticas, movimentos que os dendritos e axônios não conseguem fazer. A minha verdade e a sua verdade não estão no desenho da pincelada, não estão entre cor e outra, mas dentro da cor. No espaço pequeno e infinito entre dois átomos. Na distância do trajeto dos fótons, da onda-matéria. É gravidade. É grave, tão grave que nós não vemos.
Pode ser que a minha verdade nunca encontre a outra, num quarto fechado, escuro e silêncio. Pode ser que entre o espaço da minha cor e o espaço dentro da outra cor sempre haja um contraste, ainda que tênue. Mas a minha cor vai continuar procurando a outra, caindo em gravidades infinitas e caminhos impossíveis, até que um dia a luz se apague e tudo vire o silêncio mútuo do nosso mesmo tom.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Do dia-a-dia
The Flowers - Regina Spektor
The flowers you gave me are rotting and still I refuse to throw them away.
Some of the bulbs never opened quite fully
They might so i'm waiting and staying awake.
Things I have loved i'm allowed to keep
I'll never know if I go to sleep.
The papers around me are piling and twisting regina the paper back mummy
what then.
I'm taking the knife to the books that I own and chopping and chopping and boiling soup from stone.
Things I have loved i'm allowed to keep.
I'll never know if I go to sleep.
Things I have loved i'm allowed to keep.
I'll never know if I go to sleep.
Simplesmente, a idéia de mofar, assim, por dentro não me repulsa.
Mas não há tempo.
The flowers you gave me are rotting and still I refuse to throw them away.
Some of the bulbs never opened quite fully
They might so i'm waiting and staying awake.
Things I have loved i'm allowed to keep
I'll never know if I go to sleep.
The papers around me are piling and twisting regina the paper back mummy
what then.
I'm taking the knife to the books that I own and chopping and chopping and boiling soup from stone.
Things I have loved i'm allowed to keep.
I'll never know if I go to sleep.
Things I have loved i'm allowed to keep.
I'll never know if I go to sleep.
Simplesmente, a idéia de mofar, assim, por dentro não me repulsa.
Mas não há tempo.
Assinar:
Postagens (Atom)