Prometido e não cumprido. Meu passado e meu futuro. Tudo vira bosta. Um dia depois, não me vire as costas. Salvemos nós dois: tudo vira bosta. (Rita Lee)
quarta-feira, 12 de março de 2014
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Sobre a comunicação
É claro, meu bem, que o que é dito não importa... Mas, sim, as pausas, gestos e suspiros entre as palavras. Só que, insisto, as entrelinhas precisam dos trilhos íntegros para percorrer a distância entre as pessoas.
Relativizando o eu, um desabafo niilista
É desconcertante, num dado momento da vida, não poder dar nem que seja uma resposta ingênua e superficial às perguntas que cercam o "eu". Quem sou? O que quero? O que faço? E onde? E como? Por quê? Entretanto, é claro que tudo tem seu lado bom e que da adversidade e da dúvida vêm as conquistas e mudanças que moldam uma pessoa.
E eu quero mudar. Fugir, chegar, conhecer ou mesmo arrepender-me. Tanto faz. Experimentar, com a sede de uma criança que tenta encostar o dedo no fogo, por puro tédio e curiosidade. Ver o que acontece, provocar, transitar, atritar até sair faísca. Com medo, óbvio, e daí?
Mas outra questão é: e como? Será que em outro espaço? Em outra realidade, ou rotina? Em outro tempo? Será que é mais provável seguir sendo a mesma pessoa ao se trocar de ambiente, reafirmando-se em novas condições; ou mudar, mesmo permanecendo do mesmo nicho, pela inconstância intrínseca do viver?
Ou, talvez, será que importa mesmo o que somos? E não, ao invés disso, a relação do que somos com o meio em que estamos? O trajeto, a mudança, acima do resultado dos mesmos? Existe mesmo um certo? Um melhor? Um mais bem sucedido? Um mais feliz? Será que o melhor é mais feliz; o sucesso é certo?
Quem sabe, num ponto de vista humanista, um mais adequado? Um mais condizente com nossos planos e ideais? Mas, ainda assim, o que julgamos mais adequado e fiel à nós o é, de fato? Se não enxergamos nada com total clareza e por todos os ângulos, o futuro sempre imprevisível...
Vai ver todo passo é um passo no escuro, principalmente quando não se sabe onde está. A vida feita às cegas e sem importar no resultado. Ou que sejamos todos expressões diferentes de uma mesma equação complexa, um conceito absurdo e ininteligível. Que a única verdade seja inefável e o resto todo mentira, ilusão denominada à toa, falácia. Quem sabe, finalmente, devêssemos parar de julgar os outros, se não sabemos com certeza nem que somos.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Sobre a seleção natural
Quando a única coisa sincera que alguém pode dizer para você é "não sou teu amigo", o melhor que se pode querer é que seja dito logo.
sábado, 15 de dezembro de 2012
Sobre os nossos próprios vieses
Só queria entender na profundidade a diferença entre o sustentável e o insustentável. Queria parar de desejar becos sem saída.
Da imprudência
Ninguém quer morrer com palavras na boca, não é mesmo? Talvez por isso se fale tanto sem pensar.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Explicando
Acho que, como fica difícil para o ser humano entender o acaso, a gente podia combinar de definir sorte como um pequeno grupo de duendes que, às vezes, trabalham a nosso favor. Se a gente trabalha de dia, eles trabalham de noite, também.
Choque
Durante uma surpresa desagradável, todas as borboletas no estômago resolvem abrir as asas no mesmo instante. E só melhora depois de, uma por uma, saírem voando garganta afora.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Amostra das más escolhas das quais a sorte nos protege
Foi o vento vibrando o silêncio nos meus cabelos,
E o sol acendendo velas nos grãos de areia molhada,
Ele derramando suas flores, brancas, sobre minha terra árida
Minha saudade evaporando em suspiros profundos
Eu só queria dizer...
Que eu não precisava de um final feliz
(algum verão de ano desconhecido)
(algum verão de ano desconhecido)
Por um complexo mais cúmplice
Cumplicidade não é quando tem amor, quando tem amizade, quando tem culpa. É os gestos do outro, mesmo sendo estranhos, fazerem sentido para você. É a sintonia que faz o jogo continuar.
Aos meus amigos, inimigos, conhecidos e contactantes, não peço boa vontade nem piedade: só cumplicidade. A função da vida, naquele intervalo, não admitia valores imaginários.
Aos meus amigos, inimigos, conhecidos e contactantes, não peço boa vontade nem piedade: só cumplicidade. A função da vida, naquele intervalo, não admitia valores imaginários.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Encargo reparatório sobre o excesso de velocidade
Eu não sei onde você está
mas quero que carregue as
palavras que eu deixei
atrasar
Não são desculpas, confortos
despedidas. Apenas palavras
comedidas
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Sobre o não
É tão estranha a perda: não entendendo a posse, como partimos a ela? O homem não sabe o ter ou perder, só sente a falta.
Descontentamento
Dizem que as duas únicas felicidades do pobre são tirar o sapato apertado no fim do dia e esvaziar a bexiga depois de tempo sem fazê-lo. Pode ser que ter dinheiro seja diferente, mas... Quem não sabe o que é ruim, tampouco reconhece o bom.
sábado, 9 de julho de 2011
Uma porta aberta
Então fico aqui, me sentindo talvez um pouco idiota. Deixei a gaiola aberta e o passarinho saiu, mesmo com a asa quebrada. De quem é a culpa? De quem é a falta? É tolice deliberar sobre a porta, agora.
Uma porta fechada
É triste a tardia percepção de uma ausência. Sempre acreditei numa distância ideal às coisas, onde houvesse equilíbrio entre o excedente e o falho. Porém, sem saber, a distância suficiente para que os ecos encobrissem esse silêncio. Uma porta fechada, um lugar vazio, uma tela em branco, um espaço indiferente. É estranho a perda inesperada do que não se dava conta, ou a falta inexorável do volátil. Quanto tempo dura o luto por alguém que vive?
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Laços e nós
Quem se recusa a fazer laços acaba, o quê, tendo de enfrentar os nós.
(Campanha Ariel - Lavando Roupa Suja)
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Do fio da meada
Às vezes parece
a cabeça passa o dia a tricotar
são nós que o seu corpo
precisa desamarrar
quarta-feira, 23 de junho de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
ANATOMIA
É triste ver-se o homem por dentro:
tudo arrumado, cerrado, dobrado
como objetos num armário.
A alma, não.
É triste ver-se o mapa das veias,
e esse pequeno mar que faz trabalhar seus rios
como por obscuras aldeias
indo e vindo, a carregar a vida, estranhos escravos.
Mas e a alma?
É triste ve-se a elétrica floresta
dos nervos: para estrelas de olhos e lágrimas,
para a inquieta brisa de voz,
para esses ninhos contorcidos do pensamento.
E a alma?
É triste ver-se que de repente se imobiliza
esse sistema de enigmas,
de inexplicado exercício,
antes de termos encontrado a alma.
Pela alma choramos.
Procuramos a alma.
Queríamos a alma.
tudo arrumado, cerrado, dobrado
como objetos num armário.
A alma, não.
É triste ver-se o mapa das veias,
e esse pequeno mar que faz trabalhar seus rios
como por obscuras aldeias
indo e vindo, a carregar a vida, estranhos escravos.
Mas e a alma?
É triste ve-se a elétrica floresta
dos nervos: para estrelas de olhos e lágrimas,
para a inquieta brisa de voz,
para esses ninhos contorcidos do pensamento.
E a alma?
É triste ver-se que de repente se imobiliza
esse sistema de enigmas,
de inexplicado exercício,
antes de termos encontrado a alma.
Pela alma choramos.
Procuramos a alma.
Queríamos a alma.
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